Cies. O lugar do tempo.

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Os Romanos chamaram-lhe “Insulae Deorum” – As ilhas dos Deuses. O The Guardian disse que lá se situava a praia mais bonita do mundo. Eu aposto as cartas todas em como este é um lugar do tempo. Há lugares assim, onde o passado, o presente e o futuro parecem habitar em comunhão, numa espécie de eternidade. Porque eterno é aquilo que se vive.

Naquele dia, ainda de madrugada, decidi por os pés ao caminho sozinha, para ver o nascer do Sol. Eu e aquele tempo só meu, que não me escapou por entre os dedos porque o vivi tão intensamente que se tornou parte de mim, etéreo, eterno. Meu.

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A praia de Rodas, no dia anterior povoada por muitos outros veraneantes, naquele momento só minha, a recordar-me que um dia deve ter sido mais ou menos assim. Selvagem, virgem, deserta. Um pouco como me senti naquele momento. Um pouco a génese do que sou. Livre!

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Este pedacinho de céu, lugar do tempo, habitado até ao início do século XX por algumas famílias de pastores e agricultores, formam um arquipélago composto por três ilhas: Ilha de Monteagudo, Ilha de Montefaro e Ilha de São Martinho. Desde 2002 que o arquipélago das Cies integra o Parque Nacional Marítimo-Terrestre das Ilhas Atlânticas, fazendo  ainda parte deste, as Ilhas de Ons, Sálvora e Cortegada (todas na minha lista). As ilhas de Montefaro e Monteagudo ligam-se pela magnífica Praia de Rodas, de onde se pode, a olho nu, apreciar o bailado dos golfinhos que não se mostram envergonhados, e uma e outra vez, se exibem em saltos majestosos perante o público que se mostra extasiado e respeitoso perante este espetáculo. A ilha de São Martinho é apenas acessível por barco privado, com autorização da junta da Galiza. Mas dela é possível ter vistas deslumbrantes a partir da sua irmã Montefaro. O trilho ao Faro da Porta é um dos locais de eleição para contemplar São Martinho. Nós fizemos esse percurso e recomendamos a todos que o façam. Aliás, a minha grande recomendação vai no sentido de explorar todos os percursos e não se deixar ficar pela tão afamada Praia de Rodas. Conhecer a praia de Rodas não deve, na minha opinião, ser de todo a prioridade.

Do que nós fizemos:

O Trilho Faro da Porta é muito acessível, requerendo apenas alguns cuidados naturais junto às escarpas que servem de poiso ao Faro. Nós iniciamos o trilho a partir daquela que para mim é a praia mais bonita da Ilha, a Praia de Nossa Senhora, situada frente a frente com a Ilha de São Martinho.

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Ao cimo é possível avistar o Farol das Cies

Ainda deste lado da ilha, um pouco mais acima, situa-se o Farol das Cies, acessível por um trilho que pode ser intersetado ao trilho Faro da Porta ou realizado de forma independente. Como não podia deixar de ser este trilho constituía a minha grande expectativa, completamente destruída pelas condições meteorológicas em que foi realizado. Uma neblina densa e húmida não permitiu que a nossa vista fosse muito mais além do que uma escassa mão cheia de metros. Fica o registo possível e um bom pretexto para voltar às Cies. Neste percurso recomendo que se faça o desvio até à Pedra da Campá, preferencialmente ao por-do-sol.

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Pias criadas pela erosão

O Trilho Alto do Príncipe, situado na ilha de Monteagudo é outro lugar altamente recomendável para quem visita as Ilhas do tempo.

Daqui se tem uma perspetiva bem geral das Cies. Foi durante este percurso, realizado logo no primeiro dia que a minha pequena-metade-mais-que-perfeita me surpreendeu “mamã, estou cansado, mas não desisto. Um homem nunca desiste”, ao que lhe respondi ” e uma mulher também não, pelo menos sem antes tentar”. E cá por dentro rejubilei de alegria e orgulho.

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Aspetos a ter em consideração se pretender visitar as Cies:

– As Cies são uma reserva natural sujeita a regras de conservação rígidas.  Há lugares de acesso interdito. Esses lugares estão bem identificados e devem ser respeitados.

– Não é possível fazer fogo.

– Todo o lixo produzido durante a estadia deve voltar com o viajante. Só existem caixotes do lixo no parque de campismo para os seus ocupantes.

– O tempo na ilha é instável. E a amplitude térmica significativa. Convém levar sempre um agasalho.

– As reservas para visitar a ilha devem ser efetuadas com antecedência. Quer faça uma visita de um dia ou pernoite no parque de campismo.

– Para pernoitar é necessário obter uma autorização da Junta da Galiza.

– Na ilha só existem três restaurantes e um pequeno mini-mercado.

– Os preços nos restaurantes não são simpáticos. A água é igualmente cara.

– A partir da 1h da manhã a ilha fica às escuras, quando se desligam os geradores do parque de campismo.

– As gaivotas são as donas da ilha. Se não levar tampões para os ouvidos é bem provável que esteja acordado antes das seis da manhã.

– Caminhe calçado com sapatilhas. Esqueça os chinelos.

– Visite o Mosteiro de São Estêvão, abrigo dos monges Franciscanos e Beneditinos, hoje transformado no ponto de informação das Cies.

– Não deixe que o local onde jazem os que deram vida à ilha lhe passe despercebido. O cemitério das Cies é um lugar paradoxalmente bonito. Um lugar de impacto. Inaugurado em 1924 foi recuperado em 2016.

– Não se fique pela praia de Rodas. Entregue-se. Esqueça a invenção relógio. Deixe-se levar por este lugar do tempo e seja feliz.

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2 comentários sobre “Cies. O lugar do tempo.

  1. Plácido Carvalho disse:

    Fantástico a quem lá esteve… Que viveu e fotografou e teve a capacidade de fazer sentir descritivamente todas as sensações… Fantástico também para quem teve a oportunidade de ler!… Sabes que sou teu fã, Carmenzita!!… 😘

    Curtido por 1 pessoa

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