Fascinante Galiza – Mosteiro de Caaveiro

Nota Introdutória: Até podia ter sido tudo simples e perfeito se tivéssemos realizado o necessário trabalho de planeamento que deve anteceder a prática de uma atividade de trekking. Mas não foi o caso. Desta vez a vontade de ir, a pressão do trabalho, a falta de tempo e algum excesso de confiança, levaram a que se tivesse negligenciado essa fase de planeamento que habitualmente me dá tanto gozo. Normalmente, a minha viagem começa com a decisão de ir. Viver nessa expectativa do novo é tão delicioso como vivê-lo, de facto. Assim como o prolongamento das memórias, dos sons, dos cheiros, das cores, das emoções constituem uma extensão de felicidade e uma boa forma de nos mantermos ancorados à alegria de viver. Serve esta pequena nota introdutória para enquadrar o contexto da abordagem ao Mosteiro de São João de Caaveiro, esclarecendo que quando iniciamos este percurso, já as botas contavam com 5h de subidas e descidas acentuadas, por caminhos incertos, com temperaturas a rondar os 40º, naquele que foi o dia mais quente do ano.

A abordagem ao Mosteiro de São João de Caaveiro, um antigo refúgio de eremitas, datado de 934, situado num enclave das Fragas do rio Eume, deve ser feita a partir de Pontedeume. Daqui, partindo de carro pela estrada nacional, são 10km até uma das quatro portas de entrada das Fragas do Eume, de onde parte de hora em hora um pequeno autocarro até à Ponte de Santa Cristina, situada a 500m do Mosteiro, devendo o percurso, a partir daqui, ser feito a pé. Claro que nós não fizemos nada disto. Só descobrimos isto no fim. E ainda bem! Com o cansaço que levava nas pernas, a sede e a fome a apertar, podia – sei lá? -ter cedido ao facilitismo e tenho a certeza que mais tarde não me teria perdoado por isso.

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Na verdade a nossa caminhada em direção ao Mosteiro, iniciou-se cerca de 1km antes da ponte suspensa de Fornelos, seguindo a partir daqui, 2,5km adentro pela bruma e densidade do Bosque Atlântico que ladeia as margens do rio Eume, mesclado de um azul esverdeado hipnotizante, que procuramos espreitar aqui e ali, por entre a densidade da vegetação. É absolutamente idílico! A vegetação é tão densa, que esconde o sol, parecendo que se está a fazer noite mais cedo, o que cria alguma ansiedade pela emergência de chegar! O ar é quente e extremamente húmido, dificultando um pouco a respiração nas subidas mais escarpadas, que se fazem por recurso ao apoio de cordas que se encontram colocadas em pontos estratégicos. Praguejo o caminho todo, consciente que estou a amar aquilo e grata, simultaneamente grata, pelo facto de estar a ser recompensada por não ter cedido ao cansaço provocado pelas infrutíferas horas anteriores, noutra ponta do Parque Natural das Fragas do Eume. Esta é a recompensa por persistir e não desistir.  Acredito fielmente que a persistência e determinação, mais tarde ou mais cedo, serão sempre recompensadas. Procuro nunca me esquecer disto e procuro, nas mais pequenas coisas do dia-a-dia passar esta mensagem aos meus filhos, numa espécie de legado. O mais importante ensinamento que o meu pai me incutiu.

Só vemos o Mosteiro quando já estamos diante dele, a uns 50m. Até então é absolutamente impossível avistar esta obra ao estilo Barroco Compostelano. Só se visto do céu. É absolutamente impressionante a localização estratégica deste refúgio, durante séculos habitado por aqueles que prescindiam da civilização e procuravam um encontro consigo e com Ele. É impossível, independentemente das crenças religiosas que transportemos, não ceder ao fascínio e à mística deste lugar.

Antes de regressar pela margem oposta, atravessando a ponte de Santa Cristina, fazemos uma paragem para finalmente enganar a fome e a sede, numa taberna situada a escassos metros do Mosteiro e foi aí, sim, que percebemos que os níveis de acessibilidade ao local se encontram ao alcance de todos, com o que isso tem de bom e menos bom.

Aprecio com serenidade e deslumbramento a bruma branca que cai sobre as águas do rio. Enfeitiçada. Corpo pesado. Alma Leve. Regresso exausta e feliz.

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Travessia do Rio Sesín

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O descanso antes do regresso e algumas marcas de um dia longo
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O regresso faz-se pela Ponte de Santa Cristina, pela margem oposta.
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