Afurada – Espinho. Do rio ao mar.

 

Se a chuva é necessária, o sol faz falta. Para tudo se requer equilíbrio.

O equilíbrio entre o sol e a chuva.

O dia e a noite.

A emoção e a razão.

O silêncio e o ruído.

O eu e os outros.

A um verão seco e quente, sucedeu-se um extenso inverno frio e chuvoso, que se arrasta primavera dentro, descaracterizando as rotinas diárias. Mas eis que uns raios de sol despertam e o equilíbrio entre a necessidade de descansar e a vontade de ir, encontra lugar numa caminhada tranquila pela orla costeira, desde a bela e pitoresca Vila piscatória da Afurada até Espinho.

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Tenho por hábito parar e olhar para trás várias vezes enquanto caminho, por esse e outros motivos às vezes a coisa não corre tão bem. Neste olhar despeço-me da Ponte da Arrábida e sigo em direção àquela brancura da Afurada. Da roupa em desalinho estendida sobre as cordas esticadas ao alto, ao alinhamento dos barcos na marina, tudo me parece simples, claro, límpido. Até a roupa de cor me parece mais clara.

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Marina da Afurada
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As roupas estendidas ao sol a lembrar outros tempos

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A necessidade de avançar para não colocar em causa o objetivo de chegar a Espinho não me permite dedicar o tempo necessário a este lugar carregado de vida, de história e histórias das gentes do mar. Não resisti ao apelo de entrar no Centro Interpretativo e ficou-me um cheirinho que vou guardar, para voltar um dia destes com mais calma, não ao centro interpretativo, mas ao epicentro da vila, onde a vida acontece.

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marmita dos pescadores

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Réplicas dos Navios Gil Eanes (um deles, o Navio Hospital atracado em Viana do Castelo)

Entramos na zona do Estuário do Douro e já se sente o cheiro a mar. Cruzo-me com algumas crianças acompanhadas pelos pais e quase me deixo entristecer por não Os ter comigo. Sei que iam adorar este lugar. Mas rapidamente volto a mim e ao que O Caminho me ensinou faz agora um ano.

Daqui em diante são 15km de entrega ao sol e ao mar ora revolto, ora sereno. Cheira a liberdade! Dá vontade de cantarolar ao ritmo das passadas…”Entre as dunas e os canaviais”. E canta-se, ora pois! Quem canta seus males espanta. A semana foi dura, é preciso renovar energias. É preciso encher o peito de ar e estar desperta para os pormenores com que a natureza nos brinda.

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Chegamos ao lugar. A Capela do Senhor da Pedra, que dizem ter sido outrora um altar pagão, convertido mais tarde ao Cristianismo. A capela que se vira de costas para o mar, mas é lugar de referência de quem faz do mar ganha-pão. Não conheço outra com estas características. O lugar que eu achava em miúda ficar muito longe e que me fascinava, mas que até ao dia de ontem só tinha visto de longe.

DSC00348 (2)O regresso fez-se de comboio até à Estação das Devesas em Vila Nova de Gaia. Daí até ao ponto de partida mais uns quilómetros a descer pelas estreitas ruelas que nos levam até ao Douro.

 

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