
Regressar a Ponte de Lima é uma inevitabilidade, não são necessários grandes pretextos para revisitar a Vila mais antiga de Portugal. Ainda que a música diga o contrário – “nunca regresses ao lugar onde já foste feliz”, por estes lados não mandam “As regras da sensatez”, quem manda é o coração e, não raras as vezes, cumpre-se o que ele diz. Perdi, portanto, conta às vezes que fui feliz nas margens do Lima, no coração da Vila ou pelas localidades mais periféricas.
Ponte de Lima, esse verdadeiro ex-líbris Minhoto, detentor de um vasto património cultural, histórico, religioso, ecológico e gastronómico, acumula a condição de lugar místico, que o faz elevar-se à categoria de Lugares que moram em nós.
A ecovia do Rio Lima rentabilizada nas duas margens e nos dois sentidos, potencia em larga escala os recursos naturais existentes e permite assim aos amantes da caminhada e da natureza a possibilidade de explorar quatro simples e agradáveis trilhos, que ganham por poderem ser realizados em família em jeito de passeio.

Mas o passeio pelas margens do Lima não tem de ser linear e sujeito ao troço da Ecovia, os vários jardins existentes na segunda linha das margens do rio convidam ao namoro ou à brincadeira. Das várias possibilidades destaco os jardins temáticos do parque do Arnado, pela diversidade que apresentam e pela forma como preservam elementos da cultura rural da região.

Não existissem outras razões e Ponte de Lima já seria especial porque está na rota do Caminho Português de Santiago de Compostela. Foi exatamente a partir daqui que tomei o meu primeiro contacto com O caminho. As setas amarelas já lá estavam, mas só naquele dia, em que me preparava para me fazer ao caminho, pude reparar nelas. Desde então uma seta amarela não me passa despercebida e desperta-me sempre as melhores emoções, as mais deliciosas lembranças e o ímpeto de ir e (me) encontrar.


Depois de um passeio pelas margens do Lima, quiçá, integrando uma visita ao Museu do Brinquedo Português, mesmo junto à ponte romana, talvez seja hora de deixar o centro histórico e partir à descoberta das maravilhas que Ponte de Lima tem para oferecer em localidades mais periféricas.
Tenho de destacar obrigatoriamente a Quinta Pedagógica dos Pentieiros, que integra um parque de campismo e alojamento em simpáticos e acolhedores bungalows de madeira e serve o propósito de dar a conhecer, sobretudo aos mais novos, a vida de uma exploração agrícola minhota, através do contacto com animais de raças autóctones, estábulos e cavalariças, picadeiros, viveiros, estufas, pomares, jardins de ervas aromáticas, horta pedagógica, entre outros espaços privilegiados de contacto com as vivências do mundo rural.



Por último e antes de regressar ao centro da vila para um belo repasto sugere-se a realização de um dos percursos em torno da área protegida das Lagoas de Bertiandos, mesmo junto à Quinta dos Pentieiros. Esta zona húmida de reconhecida importância nacional e internacional apresenta uma vasta rede de percursos pedestres de extensões e características variáveis adaptados a diferentes necessidades e interesses.


Ainda que o percurso escolhido tenha sido o mais curto, é bem provável que a hora já seja tardia e a fome aperte. Se a opção ao almoço tiver recaído por um arroz de sarrabulho e uns rojões, sugere-se que para o jantar se perca com os petiscos da “Casa da Terra”, um restaurante que nasceu na antiga cadeia de mulheres, e onde é servida aquela que foi considerada a melhor alheira nacional.

Se por ventura o dia for curto para tanto, então, volte. Devemos voltar sempre aos lugares onde fomos felizes.
